quarta-feira, 19 de julho de 2017

Nem eu, nem nada


     Penso, logo existo, já dizia René Descartes em seu livro, “Discurso do método”, depois os mais ilustres iluministas que precederam a Revolução Francesa, já pensava o homem individual, como responsável por si mesmo e por seu destino. E como dizia um amigo meu de trabalho, “primeiro, eu, segundo eu, terceiro eu, e o quarto está de férias”. Seria o velho manual do capitalismo, que faz com que as pessoas pensem em si em primeiro lugar, a tal da meritocracia.

     Eu sempre cresci sobre essa premissa do pensamento como criador de realidades na nossa vida. Meu pai Assis tinha aqueles livros da força do pensamento positivo, eu não acreditava muito, pois ele lia esses manuais, mas a vida dele permanecia pobre financeiramente e mais recentemente ele é um dos melhores vendedores de passeios turísticos e ainda não vejo mudança material na sua vida.
     Mas com o passar do tempo eu acabei também mergulhando nesse universo de acreditar, como o livro e documentário: O Segredo, diz, que tudo pode acontecer se a mente crer primeiro e de certa forma isso foi ocorrendo comigo. Eu consegui 12 anos depois de tentar uma vaga no curso de Jornalismo e me formei. Outras vezes nesse meu trabalho de agente de turismo, consegui “milagres”, quando a mente criou necessidades e supriu-as. Por exemplo, alguns momentos eu devendo dinheiro acima do que eu podia pagar naquela semana, ou mês e pela força criativa eu cheguei ao trabalho na Beira-Mar e me foquei e consegui justamente o que precisava, seja, R$ 450,00, ou R$ 250,00, o importante é que a visualização daquela meta fazia todo meu corpo agir em busca de conseguir vencer certas barreiras e chegar ao destino pretendido.
     Sempre queria ter um carro, já até tive um fusca que nunca saiu da garagem e repassei para um amigo meu vender na sucata. Mas depois de tirar a carteira de motorista em 2008, ou seja, nove anos antes desta postagem, eu ainda não tive uma prática na direção de um automóvel. Mas isso mudou esse ano.
     Eu quando vi O Segredo pensei em imaginar eu dentro do carro e foi assim que muitas vezes me vi e sonhei por anos dirigindo e sabia que conseguiria ter esse bem, na minha vida como uma utilidade para o uso diário. Mas nunca as vendas davam para eu dar uma entrada, ou mesmo juntar para comprar o automóvel velho. Mas nunca deixava de sonhar, foi quando numa noite de 2016, me veio a surpresa de minha esposa ter um pequeno valor guardado, que ela havia juntado ainda do tempo que trabalhara com carteira assinada.
     Então decidimos ir atrás de um automóvel compatível com esse valor que ela possuía. Pesquisamos na OLX, que no fim nos levou a muitos golpistas, chegamos a ir a Aracati em busca desse carro e chegamos lá não existia, era golpe. Passamos um dia todo indo as revendedoras de carro, na Avenida José Bastos e outra vez numa avenida próximo a Ceasa em procura deste sonho. Mas ainda não tinha chegado a nossa vez.
     Outra vez minha esposa encontrou um carro de um casal na CE 040 e fomos lá ver e acabou que não deu certo, não foi do gosto da minha mulher. Foi quando eu vi na internet em um site de noticias local, a informação de que haveria um leilão. Anotei a data, o endereço e marcamos de ir participar desse arremate. Nunca antes tinha participado de tal evento, só tinha visto pela TV. No dia marcado fomos só por curiosidade sem grandes expectativas. Lá tinha muitos homens que já tinham pratica de participar de leilões e estavam ali com objetivo de comprar e revender.
     Fomos no impulso e quando vimos estávamos saindo de lá com o Corsa Spirit 2006, eu nem me lembro como foi direito, só sei que eu levantei a placa com a numeração do leilão e depois de disputar com um senhor que já tinha arrematado outros bens, acabei conseguindo um bom valor, que no fim do dia, nós pagamos e ficamos ainda esperando duas semanas para pegar o carro em um depósito do leiloeiro. Por motivos particulares não vou falar o nome do leilão, mas tivemos um pouco de dor de cabeça.
     Primeiro talvez por inexperiência nossa, que não fomos antes ver as condições do carro no depósito e não sabíamos que ele estava parado e tínhamos que colocar para funcionar. Como já tinha levantado a placa, não tinha, mas como voltar atrás. Então trouxemos num reboque o carro e levamos a uma oficina que em pouco mais de uma semana, colocou o automóvel em perfeito funcionamento, porém ainda não tinha chegado a documentação da transferência para passarmos para o nome da minha esposa, só quando completou um mês que a documentação chegou aí foi que eu procurei o despachante e então, mas um mês de luta, reclamações, confusão, na tentativa de regularizar tudo no Detran, não sabíamos quem era mais enrolado, o leilão, ou o despachante, sei que depois de certa pressão e ameaça de levarmos a justiça o caso, a transferência foi concluída.
     Faltou ainda levar a nas autopeças e trocar o parabrisa, que estava trincado por uma coisa que parecia um tiro que o antigo proprietário deve ter levado como o corsa veio do Tribunal de Justiça, ele veio com multas zeradas. Já com ele há emplacado há algumas semanas, estou agora podendo usufruir desse bem, com alguns estancamentos e alguns reparos que ainda necessita de um carro de segunda mão.
     Ainda há a desconfiança das pessoas porque ainda não conduzo com primor o veiculo, mas cada dia vou aprendendo um pouco mais. Ninguém nasceu sabendo dirigir. O mais importante foi que o sonho da mente se realizou. Hoje estou com outro sonho em mente e que só sossego quando realizar, a publicação do livro, um Romance, chamado Caminhos Marginais, que já está online, mas que não foi publicado por uma editora física.
    
      


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