quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Renato Russo: O filho da Revolução.

Renato Russo: O Filho da Revolução da Agir Editora LTDA de 2009, do jornalista Carlos Marcelo. 

O livro de 403 páginas conta a história de Renato Manfredini Júnior, carioca filho de funcionário público, que depois de uma breve passagem pelo exterior se estabelece em Brasília, 18 anos depois da sua fundação. Para contar a história do cantor da Legião Urbana, o livro relata a infância de Renato bem como o começo do contato do artista com a música, atráves dos vinis que chegavam a sua casa na Asa Sul.
Tem coisas que ao ler esse livro eu descobri sobre Renato que eu não sabia. Nem imaginava que ele tinha sido professor de inglês, repórter de rádio, locutor de programa sobre Beatles, ator de teatro.
Sei que na sua infância em Brasília na solidão das quadras de apartamentos, os atos contra a liberdade de expressão eram assinados. Eles que não tinham nada haver com isso, brincavam pelas ruas desertas, eles descobrem a música e surgem Aborto Elétrico, Peble Rude, Paralamas do Sucesso e Capital Inicial e outros grupos que sairam de filhos de diplomatas, ministros do governo, funcionários públicos. Quem diria que os filhos desses homens seriam a voz da revolta, do questionamento, com o punk rock, inspirados em Led Zaplin, Ramones, Bob Dylan, Beatles criam o rock progressivo do Brasil, que tem uma levada que encaixa com os jovens universitários que querem a liberdade de expressão para o Brasil.
Quando vi que Renato era estudante de Jornalismo da UNB e depois virou jornalista igual a mim e que tem esse livro escrito por um jornalista Carlos Marcelo. Vejo uma união de pensamentos da nossa profissão.
Durante o desenrolar da história, da música para questionar a vontade de fazer sucesso, ao uso abusivo de drogas e alcóol, a solidão do fim da vida, em busca de respostas para a vida.
Eu sei que ele Renato era um homem culto e sabia o que queria, mas em algum momento da vida essa sua geração perdeu o rumo e não amadureceu, ficou na infantilidade preso como Peter Pan em um mundo que não tem respostas.
Como suas músicas que falam ao coração, o cantor icone do Legião Urbana, acabou se perdendo vítima do próprio mecanismo que criou, como dizia a música do Raul Seixas.
Hoje vejo Dinho Ouro Preto bradando contra a esquerda, como se a corrupção não passasse pelos grandes partidos do Brasil. Vejo Roger do Ultraje A Rigor sendo seletivo na sua critica a política, apenas criticando o PT e deixando de lado os outros partidos, como se o lulismo tivesse criado esse mar de lama de corrupção que já estava lá em Brasília, mas que Lula e Dilma tiraram de debaixo do tapete.
Por isso que não acredito nessa Geração Coca-cola que acabou virando como dizia Renato Russo burgueses sem religião e que apenas querem tudo para si e esquecem da inclusão necessária a uma vida humana mais correta.
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