sexta-feira, 5 de agosto de 2016

12 anos de escravidão visto pela Netflix é uma memória do passado nos dias atuais

     Essa semana eu encontrei um senhor que todos os dias caminha pela Beira Mar de Fortaleza. Ele sempre fala sobre política e em todas às vezes para atacar o PT, a Dilma, o Lula e eu sempre rebatendo e defendendo o governo de esquerda. Não sei seu nome, mas me falou que é procurador aposentado.
     Eu decidi que não, mais iria entrar em choque com ele, mas esses dias quando ele me disse uma frase “Que se o Temer ficar a economia pode melhorar, mas se a Dilma voltar à economia fica pior”. Eu tive que discordar dele, não porque fosse diferente o que ele falou, mas porque não concordo com a saída de Dilma, pois vejo que não há crime de responsabilidade e isso para mim é um golpe branco, do parlamento que é hostil a presidenta afastada.
     O tal procurador não aceitou meu argumento e disse que ele ganhava R$ 40 mil e que a minha aparência era de quem ganhava mais, claro, ele estava me ironizando e me diminuindo; eu apenas fiquei rindo e percebi como são preconceituosas as pessoas do andar de cima da nossa sociedade e que por isso ele não aceitam esse governo do PT que fez opção pelos mais pobres.

     Isso tudo para mostrar que quando vi esse filme 12 anos de Escravidão de Steve McQueen essa semana, ganhador do Globo de ouro de melhor filme em 2014, pude ver que a maldade humana está baseada no seu interesse e que muitas vezes se usa a lei para legitimar os maus tratos ao semelhante.
     A história de Solomon Northup contada por ele mesmo em um livro é a vida de muitos de nós. Um negro livre que era que acaba nas mãos de carrascos e sem poder expressar a sua indignação e sem poder dizer as pessoas quem ele era sobre pena de ser assassinado.
     Quantas vezes estamos assim na vida, sem poder falar nada, sem puder opinar no nosso bairro, sem puder reclamar no trabalho sobre algo que não gostamos. Sem puder dizer para as pessoas que elas podem estar erradas, pois existem outras realidades e que nem sempre minha verdade é a sua.
     Quando as pessoas foram em 2013 e depois nas ruas se manifestar contra a corrupção e outras vezes contra o PT e a Dilma, a democracia era aceita e não se podiam questionar essas manifestações, pois eram legitimas, porém quando o MST vai fazer seus protestos são presos de acordo com a lei antiterrorismo. E quando se prometem manifestações contra o presidente interino Michel Temer, o ministro da Casa Civil Eliseu Padilha promete punir quem for fazer atos contra o governo provisório durante as Olimpíadas.
     Você vê essa minha fala e pensa o que tem isso haver com o filme? Eu digo tudo, pois os negros como nós hoje não podíamos manifestar nossos desejos e sentimentos livremente. No caso temos hoje liberdade para muita coisa, mas para defendermos o que acreditamos somos taxados de petralhas, de vários adjetivos baixos.
     Vivemos numa ditadura da informação única que só aceita aquilo que ataca o PT, tudo que é a favor a esquerda é taxado de criminoso. Não podemos ver que todos os ricos são maus, como os negros na época em que o filme relata também não tinham senhores de escravos sempre maus. Não podemos generalizar é verdade tem gente de bem ainda no mundo, mas os casos são raros.      


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