quarta-feira, 13 de abril de 2016

Quantas substâncias precisamos para seguir em frente?

Vendo um documentário da BBC, Nazi Secret Files, que está disponível na Netflix consegui descobrir um pouco da motivação do terceiro Reich. Está no primeiro episódio dessa primeira temporada, justamente esse uso de metanfetaminas, bezendrinas, tanto por nazistas, como por aliados com o objetivo de levantar a moral do exercito em missões das mais difíceis. Sem entrar mais em detalhes para não gerar mais spoilers, vou apenas usar esse fato como exemplo para imaginar como esses líderes antigos e atuais e outras pessoas, como atletas, escritores e outras categorias usavam drogas para ter inspiração.

       Já vi casos de vitórias impressionantes nos Jogos Olímpicos serem depois canceladas, principalmente no atletismo, quando se descobriu que os competidores estavam sobre efeito de artifícios químicos que melhoravam suas performances na pista, exemplo foi Carl Lewis, que ganhou nove medalhas olímpicas de ouro e que teria sido flagrado no antidoping de Seul em 1988.
     Nas artes, como no cinema, na literatura, com dois exemplos que eu conheço, pois li seus livros e suas biografias contam como eles escreviam suas estórias. Kerouac, em On The Road, em tempo recorde, poucas semanas escreveu esse clássico, símbolo da cultura beat, que estava sobre efeito de muita droga em quanto datilografava sem parar. Também Hunter Thompson em seu Medo e Delírio em Las Vegas, que apesar de ser ficção é baseada nele mesmo em uso de drogas em quanto ia cobrir uma corrida de off road.
     Quantas pessoas aguentam a pressão da vida e seguem em frente, sobre efeito de álcool? Os bares lotados nas tardes de sexta no happy hour, para os colegas de trabalho, falar sobre a vida e sobre os desafios que acontecem dentro da empresa de trabalho, mostram que essa válvula de escape é que muitas vezes move a roda para frente. Nem todos aguentam a pressão.
     Muitas vezes as bandas de rock, pop, forró, conseguiam suportar noites tocando e cantando sem parar movidos a cocaína, maconha e whisky. Um cantor cearense chamado Felipão, quando tocava na banda Forró Moral contou depois que se converteu a Jesus, que a sua vida estava indo ao fundo do poço, apesar de todo o sucesso da época, seu casamento estava se destruindo devido ao consumo de drogas.
     Estou sem fumar há mais ou menos 20 dias e reconheço que cada vez que tava nervoso e sem motivação, dava uma tragada num Black, ou mesmo Carlton, ou aquele cigarro vagabundo Record e simplesmente minha timidez, meus medos sumiam e auto-confiança vinha e até as vendas melhoravam e depois na sequência a volta da depressão, dos mesmos medos e os efeitos iam embora, só restando o cansaço, dor no peito e mais vontade de fumar, imagina, o cara que usa crack e outras drogas mais pesadas.
     A inspiração para suportar ficar cara a cara com os clientes que compram passeios turísticos em Fortaleza e ter que sair de dentro de mim mesmo para se colocar na explicação para eles sobre as vantagens de se fazer um passeio com agência que trabalho nem sempre é fácil. Dá vontade às vezes de sair correndo, encher a cara e tentar fugir das dores. Mas ultimamente estou encarando, sem álcool, nem cigarro e tá doendo, algumas vezes estou tendo êxito e vendendo muito bem e outras vendendo pouco, mas pelo menos sou eu mesmo a enfrentar o papel de vendedor.
     Mas olhando o mundo a minha volta vejo que tudo que eu acredito, ou a maior parte pode ser efeito de drogas. O discurso de Lula é bem vibrante, super contagiante, mas será que são 100%, ele mesmo ou tem uma dose de algo que o motiva? Eu acho que o ex-presidente petista é um caso a parte e tem seus méritos, mas outros líderes parecem mesmo dominados por alguma substância psicoativa, estimulante que os leva a delírios.
     Na Igreja Universal, aonde vou, sempre fico impressionado com o bispo que conduz a reunião, como ele fala com determinação e coragem, mas movido pela fé no que ele acredita. E no que ele sempre faz jejum de 48 horas, ajuda a pessoa a chegar ao limite da pregação.
     O sexo nos estimula, os elogios sobre o nosso trabalho, o dinheiro no bolso também ajuda. Mas como não somos máquinas, tem momentos de fraqueza e o ser humano mergulha nas coisas proibidas, algumas vezes só para relaxar. Na verdade aquela cerveja gelada, com uma conversa que liberta das pressões diárias é maravilhosa mesmo já me soltei muito dessa forma, quando viro um contador de estórias, um cantor e até um piadista.
     Mas não me orgulho disso. Eu acho importante ser o que eu sou e a partir disso conquistar as batalhas da vida de cara limpa. Muito difícil mas é o melhor a fazer.

     
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