terça-feira, 9 de junho de 2015

A cruz e o símbolo da diversidade

A parada Gay de São Paulo deste último domingo (07) mostrou como sempre seu lado irreverente, com gente fantasiada de diversas formas, mas o que realmente chamou a atenção foi a maneira que alguns dos participantes usaram para protestar contra a homofobia e o pré-conceito. No caso temos o exemplo da atriz transexual Viviany Beleboni, que aparece sendo crucificada como se fosse Jesus Cristo símbolo maior da fé cristã pelo mundo.
Viviany Beleboni foto: Julia Chequer/Folhapress

O protesto contra homofobia segundo ela "nunca teve a intenção de atacar a igreja", porém gerou reação do deputado federal o pastor Marcos Feliciano (PSC-SP), que questionou de forma irônica na sua pagina do Facebook "Imagens que chocam, agride e machuca. Isto pode? É liberdade de expressão dizem eles".
            Outro deputado federal que acabou se manifestando sobre o tema foi Jean Wyllys (Psol-RJ), que avaliou, que a iconografia católica e as narrativas que lhe deram origem vem servindo de inspiração e material para artes laicas desde a Independência Americana (1776) e a Revolução Francesa (1789), como forma de mostrar a separação de Estado e religião e o direito as liberdades civis.
            "Não apenas artistas das mais variadas expressões se apropriaram desse acervo- seja para questionar os valores morais veiculados por essa iconografia e narrativas, expondo contradições e hipocrisias da instituição que lhes sustenta seja por pura identificação estética como também a indústria cultural e a publicidade se apropriaram desse acervo para venderem seus produtos".
            Todas as falas ditas pelos parlamentares e também pela atriz que gerou a imagem polêmica têm sua razão parcial. Quando eu comentei aqui no blog em outro momento no texto "A morte dos cartunistas do Charlie Hebdo pede reflexão para todos os lados", que é importante saber rir e conta piadas dos acontecimentos da vida, mas porém sem tratar as minorias com menosprezo, eu estava querendo dizer simplesmente que não precisa ofender ninguém para dizer certos tipos de verdades.
            Usar a cruz, como apenas uma representação do sofrimento de Cristo é interessante, pois você diz que a homofobia é um tipo de sacrifício que os LGBTs têm que passar porque assumem o que eles são diante da uma sociedade brasileira, cada vez mais conservadora e falsa moralista, onde o pai de família prega uma coisa e muita vez vive outra. Isso existe vários exemplos dos homens que a noite vai procurar prazer, com o sexo com homens e depois na frente da família recriminam esses mesmos gays.
            Mas antes de Jesus morrer na cruz e assim "libertar" a humanidade do pecado, a cruz já era símbolo de crucificação de ladrões e assassinos e usados em muitos momentos na humanidade. No próprio seriado da HBO Game Of Trhones na cidade de Astapor, a personagem Daenerys Targaryen vê escravos e crianças que não obedeciam e eram crucificadas.
            Quem teve essa idéia da cruz no evento da diversidade sexual foi brilhante, mas no fundo eles quiseram confrontar mesmo o presidente da Câmara dos Deputados o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pois ele é evangélico e tem muitas posições ortodoxas.
            Não se pode, no entanto querer achar que tudo que os gays fazem eles estão certos e nem que eles querem acabar com a família. Na verdade eles querem primeiro respeito e segundo uma família moderna, com valores inclusivos. Todos devem ser acolhidos e não excluídos.

            Jesus Cristo foi um homem de valores inclusivos e queria acabar com a hipocrisia nos templos fariseus dos judeus da sua época. Com certeza ele não veio ao mundo com uma missão de julgamento, mas de perdão, de amor ao próximo. A cruz, portanto de Jesus é símbolo de morte para uma vida e nascimento para outra vida, mas aí que tipo de morte cada um tem que ter na vida e que tipo de ressurreição é de foro intimo de cada um.
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