domingo, 17 de maio de 2015

Nem toda mochila velha e rasgada deve ser jogada fora

E lá estava eu, com a mochila cheia de livros, voucher, folders, tablet, camisa de trabalho, quando a alça da danada se quebra e eu fico impossibilitado de andar de bicicleta, devido ao peso agora pender para o lado direito e me querer derrubar.
Mas mesmo assim, devagarzinho eu fui com a mochila sobre o guidão da bike e cheguei ao meu destino. Teve outro dia que essa maneira de guiar estava me colocando em risco no transito e então, resolvi aumentar a alça da mochila soltando um pouco mais de espaço e colocando sobre meu pescoço.
Mochila Foto: Carlos Emanuel
Foi uma resolução meio estabanada, pois o peso caia para o lado esquerdo e um ombro estava meio doido. Fiquei pensando, “Merda, como pode essa bolsa quebrar assim, logo quando a liseira está grande?
Mochila Foto: Carlos Emanuel
E como eu iria comprar outra? Nem conseguia raciocinar direito, mas essa mochila havia custado R$ 200,00, há mais ou menos um ano atrás e tinha carregado muitas camisas, tênis, no meu percurso de casa, estágio, faculdade, praia, casa da namorada, etc.
Essa parceira de sempre também tinha carregado camarão e peixe dentro dela. Um dia, eu estava dentro do ônibus lotado indo para o estágio na Assembleia Legislativa, quando ia passando, ouvia as piadas das pessoas: “Sai de casa e trás a mala nas costas...”.
Um dia entrei em uma dessas lojas de roupas e vi de longe uma mochila que custava R$ 50,00, mas pensei que não valia muito à pena, pois já havia passado por experiência semelhante de bolsas se rasgarem misteriosamente em menos de um mês de uso.
Na verdade eu poderia ter jogado essa minha mochila fora e ter passado o cartão e comprado uma novíssima, mas os tempos eram outros. A escassez da grana era sintomática e eu estava sobrevivendo dia-a-dia com o dinheiro da venda de passeios turísticos. E uma vez alguém me disse para me ajeitar a alça e eu nem pensava nessa possibilidade. Meu pai, disse que eu fosse ao Centro da cidade e consertasse por lá, mas eu teimei que aqui no meu bairro tinha essa possibilidade, mas na verdade eu acabei indo numa loja de conserto de coisas usadas.
Era uma oficina, que tinha um atendente que tirava sua Ordem de Serviço (OS) a partir do valor que você acertava diretamente com o homem que conserta mochilas. Eu deixei a minha mochila lá e coloquei toda a minha bagagem dentro de sacos e depois na minha irmã peguei umas sacolas mais “xiques”.
Quando chegou o dia e eu fui lá e peguei a mochila, percebi que fiz um maravilhoso negócio e que não se podem jogar as coisas foras assim do nada, algumas vezes elas têm conserto e podemos reutilizá-las.
Foi o caso da TV, que também deu defeito e eu gastei R$ 80,00 reais e trouxe-a de volta para minha casa. O conserto da mochila foi apenas R$ 20,00 e com certeza valeu muito apena.
O valor que muitas vezes esnobamos quando estamos com bastante grana e por cima da carne seca é recuperado, quando a gente se ver diante de apertos financeiros.

Hoje eu estava em casa deitado, sem um puto no bolso e me despedi da minha namorada e a filha dela que estava aqui em casa e fui para praia e consegui trazer a recompensa novamente. Com as vendas de passeios turísticos eu garanti uma semana menos apertada.
Muitas vezes eu chegava à Assembleia na sala de redação com sacolas na mão e ninguém imaginava que eu não tinha um centavo para consertar a mochila e nem comprar uma nova. Poucas pessoas sabiam da real situação que eu me encontrava, Mas o importante de tudo é que eu não esmoreci e fui em frente e consegui conserta a mochila e sem que tenha outras coisas na minha vida que precisam de consertos também.


Postar um comentário