terça-feira, 3 de março de 2015

Gladiadores do Altar da IURD x Pré-julgamento midiático (?)

Parece mesmo que a sociedade brasileira não tem mesmo o que fazer e começa a repercutir qualquer coisa que vê e começa a propagar essa coisa de maneira muitas vezes irresponsável.       Esses dias rolaram na internet, na imprensa e em tudo que se via uma situação inusitada, todo mundo comentando de um vestido preto e azul, que algumas pessoas enxergavam de outra cor. Eu ali sentado em frente ao computador, como estou agora e sem entender bem, como isso chama a atenção das pessoas.

            Mas veio outro dia, no caso, ontem (02) e outro assunto tomou conta das redes sociais, depois do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-BA) repercutiu no seu Instagram sobre os Gladiadores do Altar da IURD.


Normal da liberdade de expressão, o parlamentar colocar seu posicionamento diante do que ele acha certou ou errado. Porém não se pode pegar esse conceito e determinar um vídeo, como algo de acordo com o seu pensamento. O vídeo no caso é sobre a reunião na Igreja Universal do Reino de Deus Ceará, do Centro de Fortaleza, onde jovens entram no Templo Central lotado em um culto, em marcha como se fosse um exercito.
De acordo com Wyllys, "A foto é chocante (ao menos para mim). O fundamentalismo religioso no Brasil - articulado profundamente à lógica de mercado e promovido por estratégias publicitárias que interpelem as pessoas a partir de preconceitos históricos e do senso comum que o sistema de educação formal de má qualidade não tem conseguido desconstruir- esse fundamentalismo religioso tem sido neglicenciado pela intelectualidade brasileira..."

            Em nota no site da Universal, a resposta do que segundo a Igreja, seria uma cruzada de Jean Wyllys contra os Gladiadores do Altar, algo contraditório com o que o próprio deputado colocou em seu Instagram duas semanas atrás, quando o mesmo afirmou "A burrice motivada é a falta de vida com pensamento; a burrice motivada e o ódio são, quando combinados, o fascismo e estão fazendo emergir o pior das pessoas nas redes sociais digitais e fora delas".

Para a Universal, o Gladiadores do Altar criado em janeiro de 2015 é um grupo com o objetivo de "orientar e formar jovens vocacionados para a propagação da Fé Cristã. Seus membros são voluntários da Força Jovem Universal, programa social que conta com milhões de jovens em todo o Brasil e em outros países e que desenvolve atividades culturais, sociais e esportivas para auxiliar no resgate e amparo de populações de rua, viciados, jovens carentes e em conflito com a lei".
            Em outros sites e blog muitos criticaram, outros noticiaram sem juízo de valor. Eu não estou aqui para defender lado A ou B. Mas para que fique claro que não é possível que se julgue algo que não se conheça antes. Muitas religiões têm uma abordagem particular com os jovens para atraí-los para seu lado. No caso a Igreja Universal do Reino de Deus, como já é conhecida tem essa metodologia de fazer as pessoas vibrarem com a participação. Nas suas reuniões são feitos votos para melhorar financeiramente, ter uma relação amorosa saudável, além de se libertar de vícios em alcoolismo, como sair da depressão.
            A visão da Igreja liga a fé + prosperidade, onde o fiel, livremente adota ou não praticas de dar ofertas como maneira de se libertar do domínio do "demônio".
            Hoje em dia existe um medo de o fanatismo religioso possibilitar uma guerra até mundial. O Estado Islâmico que assombra os países civilizados deixa a sociedade apavorada com qualquer grupo que tenha uma suposta fé cega. Se realmente esses jovens marchando como soldados nos templos da IURD estão em busca de "almas" para Deus, sem usarem armas, mas a palavra da Bíblia, que segundo eu conheci nos meus tempos de criança pregavam o bem e não a adoção de armas e de violência. Não vejo mal nenhum, mas se for o contrário temos claro que ficar atentos, mas sem exageros.
            Porém, eu tenho medo é dessa sociedade que lincha pessoas na rua e que odeia o que é diferente. Não se esqueçamos de que cada um vive segundo seus desejos. Se alguém quer ser espírita, católico, gótico, gnóstico, que seja, desde que não impeça os outros de serem também o que desejam.
            Não cabe aqui julgar as pessoas sem conhecê-las, cabe a nós da imprensa ir a esses jovens e a seus lideres e conversar com eles antes que seja tarde demais e acabemos fazendo um mal a sociedade enganando ela com nossos velhos pré-conceitos.

            O erro talvez seja apenas, que ao usar uma simulação de um exercito, a Igreja Universal pode confundir as pessoas sobre suas reais intenções. Apesar de as reuniões serem espirituais, devem estar de acordo com as práticas legais.

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