segunda-feira, 9 de março de 2015

Em Fortaleza as bicicletas compartilhadas são sucesso, mas precisam atingir bairros humildes

Nas últimas semanas, tenho aproveitado para conhecer melhor o sistema de bicicletas compartilhadas Bicicletas Públicas Bicicletar oferecido pela Prefeitura Municipal de Fortaleza, operado pela empresa Serttel e com o apoio da Unimed Fortaleza. Eu sigo o percurso que compreende a Assembleia Legislativa do Ceará e a Avenida Beira Mar. De terça a sexta-feira saio por volta de 17h do meu estágio de jornalismo e sigo pelas ruas paralelas da Avenida Desembargador Moreira e sigo boa parte do caminho pela Rua Joaquim Nabuco. Eu até louvo esse projeto, pois vejo que ele é importante para cidade e para incentivar ao esporte e lazer e a apropriação da população e a diminuição dos engarrafamentos, mas tenho criticas também.

Até o dia de hoje (09) foram 64.755 viagens de bicicleta pelo projeto e 23.31 toneladas de créditos de CO2. Quem tem carteira de estudante ou bilhete único se cadastra no site do bicicletar e pode andar uma hora sem pagar nada, podendo renovar por mais uma hora com intervalo de 15 minutos. Ou quem quiser pode pagar através de aplicativo no celular. O Valor é de R$ 5 (semanal), R$ 10 (mensal) e R$ 60 (anual).
            São 30 estações até agora concentradas principalmente na Avenida Beira Mar,  Aldeota, Centro da Cidade e com possibilidades de criar mais no Parque Araxá, Benfica, Parquelândia, Farias Brito e São Gerardo.
            Até aí está tudo bem, porém existe a dúvida se essa iniciativa em longo prazo poderá chegar também em bairros mais humildes. Bom Jardim, Messejana, Lagamar, são localidades, onde as pessoas também têm o direito de uma alternativa de lazer. Talvez sejam regiões em que haja dificuldade de controlar o uso adequado das bicicletas por causa da violência constante nesses bairros e a precariedade das condições mesmo de rede de esgoto, asfalto saúde, iluminações adequadas e educação.
            O prefeito Roberto Cláudio (Pros) importou essa idéia de outras iniciativas, como em Belo Horizonte (MG) em parceria com o banco Itaú. São estações onde a pessoa se cadastra e passa a usar o serviço por uma taxa diária de R$ 3 na época do lançamento em junho de 2014. É o Bike BH.
            No Rio de Janeiro, o Bike Rio, já proporcionou 4 milhões e 900 mil viagens, com 1785.49 créditos de CO2. 
            Já em São Paulo existe um projeto de implantação de ciclo faixas iniciados na gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), com criação de 60 km de ciclovias e outras 60 rotas de bicicletas, com uma malha viária de mais de 200 km. O atual prefeito Fernando Haddad (PT) continua incentivando a prática dessa modalidade e segundo pesquisa do Datafolha em 2014, 80% dos moradores da cidade de São Paulo aprovam as ciclovias na cidade.
            Ainda não existe uma pesquisa em Fortaleza sobre as bicicletas compartilhadas, mas conversando com algumas pessoas pude perceber que elas se sentem excluídas do processo desse projeto. Uma dessas pessoas me disse que só olham para o bairro humilde na hora do voto, mas esquecem de colocar esse tipo de serviço onde eles também precisam.
            Eu não quero fazer uma crítica mais profunda antes de saber até onde vai a expansão do projeto, porém se ele ficar apenas na Aldeota e redondezas para turista e rico ver perde um pouco do seu sentindo. Lembro-me da ex-prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT) que criou o projeto de Academia na Comunidade em 33 bairros da cidade e que constava com o estimulo a orientação nutricional e a pratica regular de atividades físicas. Eram seis mil pessoas atendidas na época.

            Assim com práticas dessa maneira as pessoas da cidade se sentem mais pertencentes a comunidade e estão melhores integradas e conhecendo melhor seu próximo.


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