quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A morte dos cartunistas do Charlie Hebdo pede reflexão de todos os lados

Quando soube da morte de cartunistas ontem (07/01), em Paris na sede do jornal satírico Charlie Hebdo, alvo de terroristas de grupos islâmicos radicais ofendidos pelas publicações humorísticas sobre Maomé e os muçulmanos, de cara me lembrei do nosso jeito de fazer humor no Brasil e maneira como a liberdade aqui é garantida e se pode livremente fazer criticas sem ser cerceado.

            Existe uma diferença clara em fazer traços polêmicos criticando com bom humor a corrupção na política, as brigas no futebol, ou as gafes das celebridades, do que alguns supostos comediantes da estirpe de Danilo Gentili, entre outros que fazem uma perseguição apenas a um lado da sociedade e fazem vista grossa a outra parte.

A vida sem sorrisos não tem a mínima graça e por ser de uma cidade que tem a veia cômica como Fortaleza, onde tudo é motivo para brincar fiquei chocado com a morte de pessoas tão talentosas e que estavam fazendo uma função simples, como era a missão de Charlie Hebdo dirigida pelo cartunista Stéphane Charbonnier e com nomes como Jean Cabut, Georges Wolinski, Bernard Velhac, que deixaram seguidores no Brasil do porte de Ziraldo, Cival Einsten, Laerte, entre outros.
            Aqui no Ceará os humoristas, usam personagens e através deles fazem as pessoas sorrirem e esquecerem os problemas do dia a dia. No Brasil programas como CQC, Pânico, Nas Garras das Patrulhas fazem piadas com todo tipo de figuras, seja políticos como Bolsonaro, Lula, Dilma, até artistas famosos como Regina Casé, Ivete Sangalo. Alguns levam numa boa, mas outros se aborrecem dessa espécie de bullyg.
            O lamentável na morte desses colegas de profissão é que cada vez mais a informação fica limitada e as pessoas ficam com medo de dizer o que pensam. Eu acho que esse tipo de situação acontece por causa muito da cobertura que a imprensa em boa parte do mundo dar aos movimentos seja de esquerda, muçulmanos, dentre outros, sempre tratando esse grupo como algo perigoso, mas sem muitas vezes dar voz para que eles possam mostrar a beleza das suas realidades.
            O atentado foi um erro e não resolve o problema, pois ninguém pode impedir que as publicações se manifestem como desejam, porém fica o questionamento, até onde vai esse limite entre discutir uma situação por meio da sátira e ofender princípios e valores de uma cultura.

Quando vi recentemente pela internet o filme a Entrevista, onde mostra um repórter e um produtor em busca de entrevistar Kim Jong-Un líder supremo na Coréia do Norte e que tem a missão dada pela CIA de matá-lo, percebi que o diretor queria mostrar uma nação comunista onde tudo é uma farsa e que a população vive em sofrimento constante.

Talvez seja certo ver uma película dessas pelo lado humorístico e até gostei dele por esse lado, mas a pergunta é: Será que realmente é como tem no filme e Kim é um chefe ruim para seu povo? São certos tipos de “brincadeiras” que por mais que sejam apenas um lado da história irritam aqueles que não têm senso de humor.
            São esses radicais seja da religião, da política, ou do futebol que tomam a briga para si e partem para a violência física que de certa forma é a raiva reprimida por cada grupo atingido. Ai fica aquela questão. Como é uma responsabilidade grande ter um veículo de comunicação nas mãos e saber usá-lo com inteligência.
            Vi o Renato Aragão citando ontem em uma entrevista que antes os gays, negros e mulheres não se ofendiam com brincadeiras tiradas com eles. Realmente hoje o mundo está numa de politicamente correto, porém vejo que apenas as pessoas cansaram de serem humilhadas e agora tem mais direito e garantias na sociedade mundial atual.
Mais uma vez ficar triste e de luto pelos irmãos franceses mortos nesse cala boca de redes terroristas como Al Qaeda e Estado Islâmico que ano passado já degolaram jornalistas por uma ideologia deles e que ninguém é obrigado a aceitar.

Estou de luto, como jornalista e como cidadão que defendo a tolerância entre os diferentes. Eu sou Charlie e estou do lado do diálogo.
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