terça-feira, 7 de outubro de 2014

O turismo que depende de novos investimentos para sobreviver



Economia


            Em meio a transformações que prometem mudar a cara do cartão postal de Fortaleza, a Feirinha da Beira-Mar tenta se reinventar para sobreviver



            O sol se esconde, a brisa da tarde começa as refrescar os caminhantes que fazem seu Cooper rotineiro pós- expediente; alguns turistas começam a descer dos hotéis, enquanto outros chegam dos passeios turísticos nas principais praias do Ceará: Canoa Quebrada, Lagoinha, Jericoacoara, etc. São pacotes que os turistas compram ali mesmo no calçadão às empresas de turismo, que tem seu escritório itinerante em carros, banners e panfletos. Uma modalidade que passa por crise, por causa das empresas como CVC, que já fecham passeios junto com o pacote de viajem do turista antes que ele chegue a Fortaleza.

            Já são 16h, outros passageiros estão embarcando para o passeio de duas horas no Catamarã, que custa 50 reais. Tem gente que está nas barracas de praia e outros que tem a expectativa de que a Feirinha da Beira- mar comece seus trabalhos.

Luiz André à esquerda foto: Carlos Emanuel
           
Luiz André dos Santos, 35, também se apronta para receber os turistas. Com seu artesanato, com predominância de lembrancinhas de madeiras ornamentadas com pinturas, ele atrai um grande público consumidor do eixo Sul-Sudeste. “São 15 anos de trabalho aqui na feirinha ajudando minha irmã e depois com minha própria barraca” De acordo com o comerciante, nos últimos oito anos, houve um crescimento nas vendas, incrementado, sobretudo pelas facilidades que as pessoas puderam ter com os pacotes turísticos, com preços mais vantajosos.

            Projeto Nova Beira Mar

            A única preocupação que ele tem é com a requalificação da Beira Mar, obra iniciada ainda durante a gestão Luiziane Lins (PT) em 2011, com a entrega do Espigão da Praia do Ideal e que está dividido em cinco etapas que custará ao todo 231 milhões de reais e promete mexer com a estrutura da feirinha em uma das etapas da urbanização.
            Até o momento, as obras estão atrasadas na atual gestão do prefeito Roberto Cláudio (Pros), que tinha um prazo até março deste ano para entregar o novo Mercado dos Peixes, porém a obra orçada em cinco milhões está com dificuldades de conclusão por causa dos atrasos do repasse do Ministério do Turismo, segundo o secretário de Turismo de Fortaleza, Salmito Filho, que ressaltou a previsão só no final de 2015, para as demais etapas da Nova Beira Mar que estarão totalmente prontas.
            Antes de chegar à construção da nova Feira de Artesanato, a requalificação vai passar ainda pela construção do novo Espigão/ Atracadouro, que será a segunda etapa dos trabalhos e hoje se encontra apenas com a base de pedras pronta, faltando à urbanização da aérea.
            Em novembro de 2013, o atual prefeito de Fortaleza esteve em audiência no Ministério do Turismo em busca de recursos para dar continuidade às obras da construção da nova Beira Mar. Os recursos seriam para a construção do aterro hidráulico entre os espigões da Avenida Rui Barbosa e Desembargador Moreira.
            Na visita também houve a promessa de recursos para segunda etapa de requalificação de corredores turísticos e a requalificação da Avenida Vicente Castro, que liga os Bairros Meireles e Serviluz, no entanto a única obra pronta até agora é a nova Avenida Monsenhor Tabosa inaugurada em março deste ano e que fazia parte das obras da Copa do Mundo.

Dificuldade de locomoção no calçadão


            Todo o dia é sempre assim centenas de pessoas se aglomeram no calçadão para fazer caminhada, passear para conhecer as atrações da noite, misturado isso aos skates, patins, bicicletas, vendedores de água, lanche e vendedores de passeios. Naturalmente os esbarrões acontecem e deixam as pessoas impacientes com essa situação. Com o projeto da Nova Beira Mar, há uma previsão de áreas exclusivas para cada modalidade, como Bondes, Pistas de Copper, Ciclistas e Esporte na Areia.

Imagem internet

           O projeto de arquitetura e urbanismo é assinado por Esdras Santos, Fausto Nilo e Ricardo Muratori e tem ainda uma Praça do Náutico, com Espelho d’água, Anfiteatro, banheiros, pracinha para comida e bebida, Skate Park, “Side Pass” dos Bondes, além de uma oficina para pescadores.


           
            Nova Feirinha Expectativas e Sonhos

           
            Com 652 permissionários cadastros, segundo o Vice- presidente da Associação dos Feirantes da Beira-Mar (Asfaben), Djalma Rios, os feirantes já estão garantidos quando houver a reforma e a entrega da nova estrutura com Box e uma possível divisão por setores de produtos. Para o dirigente da entidade esse ano foi atípico devido a Copa do Mundo e a eleições que mexeu um pouco com a prioridade de gastos dos turistas. “Todo ano de Copa e política junto é esperado a queda no comércio, o turista que vem aos jogos não costuma comprar, pois é flutuante e como viaja por várias cidades, deixa para comprar nos últimos jogos”.
            Segundo dados da Secretaria de Turismo do Ceará (Setur), 363 mil turistas visitaram o Ceará durante o período da Copa do Mundo com gastos em média de R$2.650 por pessoa. Foram 169 turistas estrangeiros, sendo 24,9% vindos do México e 17,13% da Alemanha. Destes turistas 87% ficaram satisfeitos e podem voltar depois e 90% indicaram a viagem.
            A Nova Feirinha seria uma esperança para a maioria das famílias que vivem ali daquele tipo de atividade. São produtos feitos de artesanato em barro, bijuterias, biquínis, blusas personalizadas, bolsas de madeiras, castanha de caju, mandalas, sabonetes artesanais, vestido, etc, que precisam se modernizar para atender um cliente mais exigente que vem de fora do Estado do Ceará e que além do produto que compra também necessita de um ambiente capaz de lhe dar conforto.
            O turista, Valdemir Trindade, 66, de Manaus e auditor aposentado, garante que os preços dos produtos estão conforme o preço de mercado e que os feirantes não exploram as pessoas que visitam a Feira, para ele, seria muito bom uma nova estrutura que valorizasse ainda mais os produtos. “Eu acho que a Nova Beira Mar ficará melhor, quando se separar, por exemplo, a seção de castanha para um lado e roupa para outro”.
            Mas a esperança que a cada dia se renova, ainda parece distante devido aos atrasos da Prefeitura de Fortaleza.
            Djalma alerta que houve uma reunião sobre a nova Feirinha, mas devido o período eleitoral ocorreu uma paralisação do dialogo com a Prefeitura. “A Prefeitura nos garantiu que tudo ficaria pronto em 2016 e estamos negociando como será o remanejamento provisório dos feirantes enquanto se constrói a obra”, finalizou.

Confecção Foto: Carlos Emanuel

          De chapéu na cabeça, calça social e camisas de botão listradas, Francisco Moreira de Souza, 67, natural de Maranguape, vendedor da Feira de Artesanato desde 1987 quando chegou a Fortaleza, depois de trabalhar por muitos anos na roça, acredita que instalação de boxes será prejudicial ao seu trabalho e dos colegas, pois ficará muito apertado segundo ele para atender bem o cliente.
            O comerciante vende confecção bordada, que manda fazer por encomenda. Ele compra o tecido e recebe a peça pronta e revende para os turistas, principalmente nordestino e mineiro. Outra dificuldade que Francisco vê é o vendedor que estaciona o carro em frente ao calçadão e vende seus produtos, sem pagar impostos, se transformando em um concorrente desleal, já que os feirantes na zona das barracas todos pagam seus impostos junto a Prefeitura.
            O turismo em Fortaleza é semelhante à de outras cidades do mundo, alterna os períodos em alta e baixa estação. Quando chega aos meses da alta, em meados de dezembro e permanece até fim de janeiro, o número de vendedores ambulantes e itinerantes, com seus produtos ali expostos sem pagar seus impostos aumenta consideravelmente.
            E sempre é assim, os carros ali estacionados em frente ao Náutico Atlético Cearense, com suas bugigangas ficam tomando conta do calçadão e como outros tipos de pessoas atrapalham o fluxo de quem quer caminhar livremente sobre a orla de Fortaleza. A situação só muda quando é anunciado que estão vindo os fiscais da Prefeitura e todos correm para guardar a mercadoria e se escondem até os mesmos irem embora.
            Saindo um pouco da zona hoteleira, as feiras tomam conta dos bairros de Fortaleza, são em torno de 61 feiras livres na capital alencarina. As mais tradicionais estão localizadas dentro de uma estrutura organizada pela Prefeitura e separada por boxes, como é o caso do Mercado Central, Mercado São Sebastião, Mercado dos Pinhões, etc.

Diversidades de opções

            Quem deseja algo mais ao ar livre são diversas as opções, como a Feira do Mucuripe, do Bairro de Fátima, Feira do Orgânico, etc.
            Uma das mais conhecidas da cidade e que funciona entre a madrugada de domingo para segunda e quarta para quinta é a Feira da Jose Avelino que atrai sacoleiros de várias localidades do Brasil: São Paulo, Maranhão, Pernambuco, Bahia, entre outros.
            O forte desta feira é a venda de confecções que abastece o mercado de roupas do interior do Ceará e de vários outros estados vizinhos. É uma base informal de comércio e por isso olhos  da Prefeitura estão atentos aos produtos por lá vendidos, entre eles muitos falsificados.
            Outra feira livre de destaque é a da Messejana que ocorre com aos domingos e que comercializa de peças de artesanatos a produtos industrializados, como laticínios e massas.




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