segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Dia do recomeço



            Normalmente a nossa vida passa a funcionar melhor de terça-feira em diante já que a segunda-feira é um dia em que as baterias não foram totalmente energizadas e ficamos a refletir como foram os excessos do fim de semana. Se aquele vinho que tomamos a mais pode ter disparado em nossas ações momentos de impagáveis micos, seja para as pessoas sorrirem ou para criar aquela confusão.
            Comigo sempre é assim, consigo melhorar depois que a segunda de manhã passou com suas torturantes cobranças sobre nossas consciências. É o dia da saudade, o momento em que o coração reflete a nossa triste sina de ter que partir toda semana deixando um amor pelo caminho. Deixando o desejo de mais um momento ao lado seu, tocando suas mãos e olhando seu olhar.
            Mas ainda no domingo parece único, aquele momento em um churrasco com a família, onde a descontração das pessoas a deixa mais alegre e natural perante as pedras que carregam no seu dia a dia. Quanto sofrimento de sol a sol, de ônibus lotado de humilhação de seus superiores, de dinheiro que mal dar para comprar as roupas mais bonitas.
            E esses dias que começam no sábado logo depois que você bate o ponto e decreta o fim daquele cansaço vem à alegria de encontrar pessoas humildes, gente que sonha com dias mais abençoados de menos luta e mais regozijo.

            É a segunda é esse partir e fazer doer para reconstruir pontes quebradas passagens perdidas. Dinheiro bem investido é o que nos dar sempre um prazer temporário, mas que nos tira do ócio de saber que nossa dura realidade se resume sempre em esperar terminar a sexta de labutas para começar o fim de semana de ilusões perenes, que sempre alegram e machucam que mentem para nós, e deixam aquele gosto de quero de novo ser feliz ao teu lado.
            Parecessem sempre aquelas músicas que falam de “amor”, que tocam num lugar tão fundo que às vezes nem parece real, dores de gente que não nos compreendeu, dores de falta de carinho nossos sonhos que no fim levam para um paraíso em um castelo lindo cheio de príncipes e princesas e justiça e de servos alegres e bem tratados e pessoas juntas bebendo o cálice da vitória.
            Mas é segunda e o sono não acaba, as obrigações chamam, você lava o corpo, lava a alma, tenta se desprender, se arrepender se perder em meio a reuniões em encontros e olhares perdidos e chuva de vida concreta sem meios senões e cheia de dureza para quem vive perdido em si mesmo.

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