terça-feira, 8 de abril de 2014

O tetra seria nosso sim em 1994, mesmo sem Senna infelizmente

Cop do mun
Esse ano de 1994 foi um ano marcado por alegrias e decepções para os brasileiros. Primeiro a tristeza da perca do ídolo da Formula 1, Airton Senna, que por tantas manhãs acordou o Brasil com suas emocionantes vitórias.
Senna sendo ovacionado pelos torcedores franceses 
Foto: Pisco Del Gaiso/Folha Imagem

Ele partiria tragicamente, no dia 01 de maio, com um acidente a 300 km na curva Tamburello, circuito de Imola, na Itália. Dez dias antes, Senna deu o ponta pé inicial de um jogo amistoso entre Brasil X um combinado PSG/ Bordeaux, no estádio Parc des Princes.

Copa na terra de outros esportes


E foi ai que começou a ligação da morte de um personagem e o nascimento de outros que dariam a vida para ganhar o Campeonato de Futebol Mundial de seleções, que aconteceria entre os dias 17 de junho e 17 de julho nos EUA, terra do Tio Sam.

Seria a última Copa no formato de 24 seleções. Um recorde absoluto de público nos estádios, com mais de 3 milhões e quinhentas mil pessoas acompanhando cada momento.
O mundial seria fraco em números de gols, com a média de apenas 2,71 gols por partida. Tendo como artilheiros Stoichkov (Bul) e Salenko (Rus), com seis gols.

Colômbia do sonho ao pesadelo


Antes da competição, um time encantava com seu futebol na América do Sul. A Colômbia jogava pelo grupo A e liderou a sua classificação massacrando a Argentina por 5 x 0 em pleno Monumental de Nunez. Eram craques como Andrés Escobar, Freddy Rincon, Carlos Valderrama, Adolfo Valencia e Faustino Asprilla.
Escobar e o gol fatal

Foram 4 vitorias, 2 empates, com 13 gols a favor e só dois gols contra. Nessa seleção, o zagueiro Escobar seria o personagem marcante. Campeão da Libertadores da América de 1989 e do Campeonato Colombiano de 1991. Fez o gol contra no jogo contra os EUA na Copa e depois foi assassinado por apostadores de Medelín, que perderam grandes quantidades, com a eliminação da Colômbia.

Outros campeões ficam pelo caminho


A Alemanha estreou na Copa do Mundo, no estádio Soldier Field, em Chicago, no dia 17 de junho de 1994, com direito a desempenho de Whintney Houston. Venceu a Bolívia por 1 x 0 gol de Jurgen Klismmann. Ainda empatou com a Espanha por 1 x 1 e venceu a Coréia do Sul por 3 x 2.
Klismmann

Os hermanos argentinos vinham jogadores bem conhecidos: Batistuta, Simeone, Caniggia, Redondo e Ariel Ortega. Maradona que jogou o mundial e seria pego no antidoping, fez um golaço contra a Grécia.
A eliminação deles, se deu nas oitavas de finais ao perder por 3 x 2 para a Romênia. O jogo aconteceu em Los Angeles no sol mais refrescante de 17h30.
O atacante Dumitrescu fez 1 x 0 de falta, aos 11 minutos. Aos 16, Batistuta fez o gol de empate. Aos 18 de novo Dumitrescu marca. Aos 13 do segundo tempo Hagi amplia para os romenos. Abel Balbo anda desconta para os argentinos.

Da África veio a surpresa Nigéria vencendo a Bulgária na estréia por 3 x 0. Depois perdeu para a Argentina por 2 x 1 e venceu a Grécia por 2 x 0.
Roger Milla

Nessa competição ainda um “vovô garoto”: Roger Milla de 42 anos e que pelo Camarões seria o jogador mais velho a joga uma Copa do Mundo. Ele que durante a passagem pela sua seleção marcou 28 gols em 122 jogos.

Azurra na disputa

A Itália treinada por Arrigo Sacchi contava, com jogadores de peso, como Pagliuca, Maldini, Costacurta, Donadoni, Baggio e Massaro. A seleção estreou perdendo para a Irlanda por 1 x 0. Ganhou da Noruega por 1 x 0, com gol de Baggio, aos 69 minutos de jogo. E empatou com o México por 1 x 1. Passaria segunda fase, como 4° melhor 3° lugar.
Nas oitavas de finais a Itália venceu na prorrogação, com dois gols de Roberto Baggio. Nas quartas, a seleção venceu a Espanha por 2 x 1 com mais dois gols de Baggio.
Nas semi-finais a Azurra enfrentou a Bulgária de Stoichkov ganhando, por 2 x 1 com mais dois gols de Baggio.
Roberto Baggio nasceu em Caldogno. Foi meia-atacante do Vicenzo, Fiorentina, Juventus, Milan, Bologna e Internazionale. Pela seleção de seu país atuou, 56 vezes e marcou 27 gols. Jogou três Copas do Mundo e recebeu um prêmio Fifa, como melhor jogador do mundo.

Mesmo sendo de uma família católica de Veneto foi ao Budismo que encontrou a serenidade.
Hristo Stoichkov

Hristo Stoichkov jogou em grandes clubes da Europa, como Barcelona, CSKA Sófia, Kashiwa, Chicago Fire e DC Unitde. Jogou 83 jogos pela seleção e fez 37 gols. Venceu pelo Barça, a Liga dos Campeões (1991-1992), 4 campeonatos espanhóis, uma Copa do Rei.
A bola da Copa foi a “Questra” fabricada pela Adidas. Ao vencerem o Marrocos por 2 x 1, na primeira fase, os jogadores da Arábia Saudita ganharam do Rei Fahd, um automóvel cada um.

Um país de torcedores (treinadores)


Nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994, o Brasil conheceria sua primeira derrota nos jogos classificatórios. Foi no dia 25 de julho de 1993, na altitude de La Paz (3,6 mil metros acima do nível do mar), com frango de Taffarel, no gol de Marco Etcheverry.
Marco Etcheverry

Mas o Brasil ainda tinha chances de ir ao mundial e Romário não era convocado desde um amistoso em 16 de dezembro de 2013 em que o baixinho não gostou de ficar no banco de reservas. Mas o clamor do povo, o aval de Bebeto, o ídolo do Barcelona era chamado para o jogo decisivo.
19 de Setembro de 1993, mais de 100 mil pessoas no Maracanã. A disputa de uma única vaga para a Copa do Mundo dos EUA.

O Uruguai de Sosa, Daniel Fonseca e Pablo Bengochea. O baixinho Romário era o “cara” e depois de um primeiro tempo nervoso, o camisa 11 do Brasil faz, um gol de cabeça aos 28 minutos do segundo tempo com cruzamento na medida de Bebeto.

Romário faz o segundo gol

Aos 38 minutos, Mauro Silva lança Romário, que dribla o goleiro Siboldi e decreta a vaga brasileira.

Um Tetra surge

O Brasil estava no grupo A, com Suécia, a Rússia e Camarões. O time jogava de maneira retranqueira com Dunga e Mauro Silva como volantes.
A partida de estreia, a seleção brasileira venceu por 2 x 0 a Rússia, gols de Romário e Raí. No segundo jogo a vitória brasileira viria com gols de Romário, Bebeto e Márcio Santos, num 3 x 0 sobre o Camarões.
No jogo contra a Suécia, o Brasil começou perdendo, por 1 x 0 empatando no começo do segundo tempo com Romário, o que garantiu o primeiro lugar do grupo.

No Independente Day americano, um presente grego para os EUA, a vitória canarinha por 1 x 0, aos 15 minutos do segundo tempo, gol de Bebeto.
Branco de falta

Nas quartas, o Brasil enfrentou a Holanda, num jogo disputadíssimo, em que Romário, Bebeto e Branco de falta resolveriam o jogo, que terminou num 3 x 2, com direito a comemoração “balança nenê”, para o filho de Bebeto, Mateus que tinha nascido há pouco tempo.
Nas semi-finais, de novo a Suécia e uma difícil vitória por 1 x 0, gol de Romário.
Naquele dia 17 de julho de 1994, no Satdium Rose Bowl para um público de 94.194 pessoas duelava Brasil x Itália, dois tricampeões, em busca da hegemonia das conquistas.
Eu me lembro daquela Copa, como a mais emocionante em termos de expectativas, pois na emissora de maior audiência da época, o Galvão Bueno era o narrador e tinha ao seu lado o craque Pelé. A voz que durante anos emocionou a todos com a narração das vitórias de Airton Senna, nas manhãs de domingo buscava, sua primeira vez transmissão de um título do futebol em um campeonato mundial.
O Brasil vinha com Taffarel, Aldair, Márcio Santos, Jorginho, Branco, Mazinho, Zinho, Mauro Silva, Dunga, Romário e Bebeto. Como treinador Carlos Alberto Parreira e Supervisor técnico: Zaggalo.
A Itália era formada por Pagliuca, Baresi, Mussi, Maldini, Benarrivo, Albertini, Baggio, Donadoni, Berti, Massaro e Baggio.

Duas equipes jogando na defesa e praticando como nunca um jogo feio, na espera do erro adversário. O jogo no calor de 12h35 ficaria no 0 x 0. Os tiros livres da marca dos pênaltis seriam o máximo.
Galvão e Pelé

E foi assim que o Tetra veio na voz de Galvão, com gols para o Brasil de Romário, Branco e Dunga, para Itália Alberti e Evani. O lance crucial foi a perca da cobrança por parte de Roberto Baggio.





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