sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Chifre faz bem? meu texto em dialogo com Xico Sá

Segundo Xico Sá cearense da Folha de São Paulo/Uol e também do programa Amor e Sexo, um chifre humaniza o homem. Será? se formos olhar pelo aspecto de dor de cotovelo, que leva o macho a chorar diante da músicas de corno e de abrir o coração para os amigos numa mesa de bar, sim. O homem fica mais frágil, menos duro e mais suscetível as coisas que vemos a mulher também sofrer e nem se envergonhar disso.
Carlos Emanuel (eu) e Xico Sá

Aliás Xico Sá vai citando o rosário de momentos que o homem vive após o chifre: " Um chifre daqueles que nos faz furar o LP com Stephanie Says, do Velvet, ou nos põe como a última das criaturas, ao sentir as batidas dos pingos da tempestade contra a vidraça. Aí entra Tom Waits, que gorjeia This One’s From The Heart, aquela do fundo coração, o filme de Francis Ford Coppola.
Posso tocar mais uma da fita O Fino do Corno, que acabo de gravar aqui no velho cassete das antigas? Então lá vai, lá vai, roda, segura aí, peça logo outra cerveja: Les Amours Perdues, do canalha-do-bem Serge Gainsbourg. Essa é para chorar, como convém a quem deixou rastros de incompetência e de vacilos sentimentais pelo caminho.
Chifre posto, lá estamos nós, répteis do amor (agora entra Por que me Arrasto aos teus Pés, do rei Roberto, para coroar a breguice dos humilhados e ofendidos), carentes como um poodle.
E essa nossa loucura, muitas vezes, não deve ser tributada simplesmente à febre amorosa que estoura na pele e mancha o caroço dos olhos. Enlouquecemos mais pelo ego de macho, que não suporta uma “literatura comparada”, uma derrota, do que pelo grande amor de fato."
Eu não me lembro de ter levado um chifre em nenhum dos meus relacionamentos, porém teve muitos outros momentos em que imaginei ter a cabeça enfeitada e já virei macho várias dessas vezes querendo resolver o caso com o suposto Ricardão.
Minha ex-esposa até que prove o contrário foi fidelíssima, mas ela mesmo me relatou que tinha um cara espreitando o nosso terreiro e insistindo em tomar aquilo que eu imaginava ser meu.
Como o Xico Sá colocou no seu post do último dia 28 de janeiro, vamos comparando e imaginando coisas, será que ela tem interesse nele?
Uma vez vi minha ex-mulher com outro, mas já estávamos separados, na hora não pensei nada, porém depois fiquei a imaginar o que ele tinha a mais do que eu. Veja mais um pouco do post de Xico Sá:

"É o medo do cabrón diante das comparações. Tudo que queremos saber é apenas se o adversário, a quem sempre vemos, de imediato, como o Pelé do tantra, o Cassius Clay do priapismo, é mesmo o tampa-de-Crush, a bala que matou Kennedy, o tal da química de pele, o cão do terceiro livro…
Aí insistimos, insistimos, insistimos na nossa babaquice, até que ouvimos mesmo, daquela ingrata, que perdemos o embate, o jogo, o clássico do sobe-e-desce, o decisivo mata-a-mata nesse faroeste empoeirado dos nossos inconscientes.
A literatura comparada é o golpe fatal. E que gazela perderia a chance, diante da perguntado imbecil, de empurrar o sujeito para o abismo?! Aí não tem cachaça ou uísque que curem. É o fim. O mais confiante dos homens sucumbe nessas horas.
E se a moça, toda saltitante, aparecer na firma com aquele sorriso franco, aquela pele remoçada… Nunca vamos imaginar que possa ter sido apenas uma combinação perfeita entre o antidepressivo e o creme de vitamina C + coenzina Q10, obra e graça da renovadora indústria coméstica!
Sempre pensaremos no desastre-mor, no grito selvagem (dela) de prazer.Sempre achamos que a desgraçada, a miserável, descobriu, finalmente, todos aqueles multiorgasmos fresquinhos anunciados toda semana pela revista Nova. A capa da Nova é a primeira imagem que temos. A perua toda feliz com a carga elétrica de 220 wolts que recebeu do velho urso.
É assim mesmo. Pois a vida é simples e sempre vai imitar aquela singela crônica de Rubem Braga. Lá para as tantas, uma tal de Joana entra no carro de um palhaço, toda aconchegada a ele, meio tonta de uísque, vai para o apartamento do monstro – um imbecil que não sabe uma só palavra de esperanto. A vida é triste, Sizenando, conclui o escriba, a quem agora fazemos coro.
E no toca fita do meu carro, como canta agora Bartô Galeno, uma canção me faz lembrar você… Durante o luto amoroso, nossa vida não passa de um plágio descarado de uma música peba, brega e cafona."
Creio, que nós homens devemos sim sofrer por amor, sinal que estamos ainda vivendo. ultimamente não sei mais nem o que é amar, imagine sofrer.
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