sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Brasil vive seu momento Beach Boys meio século atrasado

Outro dia vinha conversando com meu irmão, Neto Alves, e falávamos como em outros países do mundo as pessoas estavam deixando de lado o carro e voltando para a bicicleta. Eram os países desenvolvidos que estavam largando conceitos vividos na década de 50, 60 e 70, onde eles desfilavam com seus carrões e nele identificavam seu estado de poder.
            Como a industrialização fazia tanto a economia dos EUA como a da Europa prosperar, o reflexo vinha na sociedade e no poder do jovem. Hoje, com a crise econômica mundial, os conceitos nesses países vão mudando.
            A Super Interessante, na sua versão online, trás uma reportagem falando sobre o Fim da Propriedade.
            Não seria mais prioridade ter carro, mas ter dinheiro para se divertir, viajar, investir nos estudos. Segundo a reportagem, de 2001 a 2009, os jovens dirigiram 23% menos, andaram 24% mais de bicicleta, 16% a pé e 40% de transporte público nos EUA. Mesmo aqueles com renda familiar acima de US$ 70 mil anuais dobraram seu gasto com transporte público de 2001 a 2009.

            Seria como dizem os japoneses, o kuruma banare, termo que personifica quem dirige menos. Os jovens também preferem morar com os pais por mais tempo.

Na contra mão disso tudo vemos aqui no Brasil, com um atraso considerável de cerca de meio século, a ascensão social de jovens que acreditam que com o carro e dinheiro se pode conquistar as mulheres com mais facilidade. Aqui no Nordeste temos isso vinculado fortíssimo.
            O cara chega com o seu carro pancadão, encosta perto de um bar e coloca uma garrafa de Whisky de RS 160,00 em cima da mesa demarcando posição.
            Segundo a reportagem, o desejo da nossa geração, (excluindo, claro, o processo dos países emergentes que, no momento, estão em busca de chegar ao topo) é trocar um dinheiro que seria gasto com carro e casa é repartido em cursos (o principal motivo para americanos não saírem de casa é que estão pagando o financiamento da universidade), viagens (jovens fazem 190 milhões de viagens internacionais e, segundo a ONU, isso vai subir para 300 milhões em 2020), shows de música (de 1999 a 2009, a venda de ingressos nos EUA subiu de US$ 1,5 bilhão para US$ 4,6 bilhões), jantares, espetáculos bacanas, saltos de pára-quedas... O jovem urbanita não precisa necessariamente de um carro para sair azarando, mas de um smartphone para saber onde se dará bem e de um táxi ou transporte público para chegar até lá.

            Aqui no Brasil a indústria automobilística está em 3° lugar no ranking mundial. Temos um país com cidades com suas vias urbanas cada vez mais engarrafadas.
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