quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Andrew Jennings, um exemplo a ser seguido

Quem pensa em fazer jornalismo, tem uma pequena ilusão de que na profissão, terá o mundo na sua frente para descortinar, cobrindo acontecimentos e dizendo aquilo que as pessoas em casa querem saber. Só não imagina que quando entra numa redação, simplesmente o pedem para esquecer aquilo que estudou na vida acadêmica e em muitos casos, você passa apenas a seguir pautas que te obrigam a cobrir realidades com o fim especifico, servindo de alguma forma para quem paga a publicidade do jornal em que você trabalha.
Mas na Inglaterra um homem em especifico nos mostrou que isso pode ser diferente: Andrew Jennings nascido na Escócia, se mudou para o país britânico e logo se destacou como jornalista investigativo. Seus maiores feitos, foram investigar a Scotland Yard, a mafia italiana e a rota da heroína entre Palermo e Inglaterra.
Depois teve um pedido de prisão, por mostrar o passado fascista de Juan Antonio Samaranch, então Presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) e a corrupção dentro da entidade. Em 2006 no seu programa na BBC britânica, denunciou suposto suborno na FIFA para garantir contrato de empresa de marketing.
Também investigou segundo Wikipedia, o programa mais importante foi "FIFA's Dirty Secrets","A FIFA e os segredos sujos",(exibido pela primeira vez em 29 de Novembro de 2010) que foi uma exposição de 30 minutos, que investigou denúncias de corrupção contra alguns dos membros da FIFA e do comitê executivo que votou na escolha da sede da Copa do Mundo de 2018. Jennings alegou que Ricardo Teixeira, presidente daCBF e do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014, Nicolás Leoz presidente da Conmebol eHayatou Issa presidente da CAF, receberam os subornos da empresa de marketing ISL que vendia os direitos de transmissão de TV da Copa do Mundo FIFA.

Na edição n°: 286 (janeiro/fevereiro), da Revista Imprensa temos a entrevista com esse grande jornalista, veja um pequeno trecho:


IMPRENSA – Você se considera um jornalista esportivo ou investigativo?
Andrew Jennings - Por muitos e muitos anos eu fiz todos os tipos de jornalismo, cobri política, economia, essas coisas “normais” no jornalismo. E é isso que eu amo. Hoje eu não sei o que vou fazer amanhã, porque amanhã eu terei uma nova história! Então sou um repórter investigativo. No esporte comecei há 20 anos, cobrindo o Comitê Olímpico Internacional, mas não sou um jornalista esportivo, então nem me mande para um jogo, é capaz de eu voltar com o placar anotado errado. Desculpe, Romário! (risos). E, como repórter investigativo, sei uma coisa que os jornalistas esportivos não compreendem, que é: “Vá atrás dos documentos”.

            Andrew Jennings


Como começou a cobrir a FIFA?
Primeiro, a definição do jornalismo investigativo é: uma organização, um governo ou uma empresa diz “Esta é a nossa missão, nossos valores, queremos fazer um mundo melhor, blábláblá”. Se você olhar por trás disso e descobrir que estão fazendo o oposto, você tem uma matéria! Talvez você demore muitos, muitos anos para descobrir algo assim. Passei muitos anos investigando o COI e, quando escrevi meu primeiro livro, “Os Senhores dos Anéis”, recebi uma sentença de prisão de cinco dias, o maior prêmio que eu já ganhei na minha carreira (risos). Na época, eu já pensava na FIFA quando um jornal de Londres veio até mim e perguntou: “Você investigaria a FIFA para a gente?”. Eu não podia recusar. Eu teria o espaço que quisesse no jornal, orçamento livre, poderia viajar o mundo todo, conversar com dezenas de pessoas, e era um bom dinheiro. E foi assim que eu comecei a cobrir a FIFA.



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