sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Ceará 2 x 1 Trairiense pouco importa o placar o que vale é estar torcendo





As luzes dos holofotes se apagaram e o vozão voltou ao lugar dos que esperam brilhar novamente. A um ano atrás a situação era de expectativa. Sul americana, Copa do Brasil, Brasileirão. Um time dentro do olhos do furacão, o midiático Ceará de 2011 deu lugar a um time pequeno em 2012, como outros milhares espalhados pelas divisões de acesso em diversos campeonatos nacionais pelo mundo.
Na segunda me dirigi a uma loja de artigos esportivos que vende produtos exclusivos do time do Ceará Sporting Club. O objetivo é claro era comprar o ingresso para o jogo. Entrei a loja e avistei a atendente que conversava com um rapaz. Eu também falava com meu pai pelo telefone. Ele com seus conselhos de que não se devia usar camisa de time no dia do jogo pela violência. Eu contestei argumentando que os jogos alvinegros não eram intranquilos.
Desliguei a ligação e pedi a moça para me vender o ingresso. Ela me falou que o Ceará não havia liberado ingressos para a loja e seria vendido apenas no Estádio no dia do jogo. Fiquei chateado, pois teria que chegar mais cedo ao estádio para comprar meu ingresso, coisa que durante a Série A toda do ano passado eu não fiz. Sempre já chegava ao PV com tranquilidade sem pressa.
Na terça estive no centro da cidade, porém não me lembrei em ir na loja ver se tinham mudado de ideia, mas soube pelo site do Ceará que os ingressos estavam nas lojas, porém já era de noite e haviam fechado.
Foi o jeito guardar a ansiedade para o dia. Durante o meu trabalho ficava só pensando na hora que saísse e correria para o PV. Quando desci do ônibus Vila União na Avenida da Universidade quarta a tarde, estava nervoso, ainda era 15:30 e o jogo seria só 20:20 da noite, porém tinha que deixar um curriculum para estágio do Sine IDT.
Depois fui ao Shopping Benfica sacar um dinheiro e corri para a Gentilândia. Quando cheguei a praça me veio uma Dejavu a mente. Os carros vendendo bebidas e comidas, enquanto os torcedores consumiam as bebidas e tira gostos, sentados em cadeiras de plásticos ao redor de uma mesa também de plástico. Todos com a camisa alvinegra e ainda era cedo 16:00.
Fui passando pelos bares e muita gente ali bebendo e conversando. Outros estavam montando ainda sua barraca para venda de água, refrigerante e bebida. Logo parariam de vender bebida alcoólica já que é proibida durante um período antes, durante e depois do jogo, numa distância de 100 metros do Estádio onde se desenrolar o espetáculo.
Cheguei em frente ao estádio no setor Azul onde já se colocavam as grades que tomavam metade da pista para que possa ser organizado a torcida quando entrar para ver o jogo. Logo vi que a bilheteria estava fechada e haviam dois senhores conversando. Me aproximei e soube que os ingressos seriam vendidos somente 17:00.
Durante a espera a torcida foi chegando e o sol maltratando a todos nós. O suor descia a minha face. Ficava me perguntando se valia apena em estar ali naquele sofrimento todo, poderia estar em casa estudando para o concurso, por sinal que parei nesse dia só por causa do jogo. Queia ver a estreia do time.
Estava eu na fila da bilheteria 3 e tinha e tinhas poucas pessoas na fila da bilheteria 4. Eu ficava olhando também aquela jovem que estava com uma senhora. Ela parecia ter 16 anos. Enquanto a mãe estava no outro lado da calçada na sombra, a jovem se reversava hora na fila no sol, hora ao lado da mãe. O senhor idoso que estava do meu lado comentou: “essa jovem deve estar nervosa, só andando para la e para cá”
Quando já era quase 17:00 abriu-se a bilheteria número 2, tive que correr para não perder meu lugar. Ainda assim duas pessoas a mais passaram na minha frente. Depois abriu-se a bilheteria 3 e 4 e pessoas que estavam atrás de mim conseguiram comprar mais rápido do que eu.
Quando comprei finalmente o ingresso ainda tive de aguardar alguns minutos pois a moça não tinha 5 reais para me dar de troco de cinquenta num ingresso que comprei de 15 reais e recebi 30 de troco. Depois que resolvi tudo isso fui atrás de comer algo e me dirigi a praça vizinho ao Aécio de Borba.
Nessa praça tem três quiosques um ao lado do outro e em frente mesas e cadeiras. Cada um vende algo que o outro também vende. Sanduíches, pratinhos, salgado + suco, refrigerantes. De primeira pensei em comprar salgado e suco, porém pensei que poderia ser ruim para mim e resolvi comprar um prato que mais o suco estava apenas 4 reais.
O prato é com arroz ou baião. Escolhi baião e ainda era com quatro opções de mistura. Coloquei estrogonofe, linguiça, paçoca e algo mais que me esqueci, estava delicioso. Depois fui dá uma volta no Shopping Benfica, lá encontrei um amigo de infância e conversamos um bom tempo. Depois ele saiu e eu parei minha leitura e fui ao Estádio.
Em frente uma fila enorme para comprar o ingresso. Eu já tinha o meu e entrei logo. Quando passei pela catraca comecei a perceber como estava vazio tudo pela frente, não tinha mais as pessoas entregando o livro sobre o jogo, nessa hora deu saudade do tempo da primeira divisão quando o estádio estava sempre lotado.
Fui ao banheiro e me deparei com um cidadão mijando na parte que é para lavar as mãos fui lá e expliquei a ele, que se assustou quando viu que estava errado. Acontece cada uma, parece que as pessoas só leem o que querem, pois lá tinha um aviso: Lavatório e bem perto um dizendo: Mictório.
Subi para pegar um bom lugar e quando me sentei fiquei lendo um livro, depois observei que tinha torcedores conversando e entrei também na conversa. Falavam sobre bastidores. Eu disse: fiquei triste quando entrei nem parecia outros momentos de glória do Ceará e ele o cara ao meu lado esquerdo falou: é isso é cara de Estadual, ninguém no estádio.
Com o desenrolar da conversa foi se aproximando a hora do jogo e os torcedores milagrosamente foram tomando conta do estádio. De onde eu estava ainda via um bom número tentando entrar, muitos só conseguiram durante o jogo. Foram quase 10 mil pagantes.
Quando o Trairiense a conhecida Laranja Mecânica entrou em campo foi recebida sobre vaias da torcida alvinegra. O time tinha sido Campeão Cearense da 2° divisão em 2011 e disputava pela primeira vez a primeira divisão cearense.
O alvinegro entrou sobre fortes aplausos e gritos dos torcedores. Ver aqueles jogadores em campo era muita alegria e a torcida cantava hinos de amor ao clube. Os jogadores com uma faixa na mão em homenagem a Maurição ex -Presidente da Cearamor que havia morrido um dias antes na terça de um infarto enquanto estava trabalhando no seu estabelecimento comercial.
O trio de arbitragem estava composto por Paulo Marcelo arbitro principal e Thiago Brígido e uma mulher Carolina Romanholi como auxiliares. Um minuto de silêncio por Maurição e a bola começou a rolar. O Ceará tocava a bola, mas não dava para chegar na área adversaria já que o time do Trairiense marcava bem os espaços.
O time interiorano não representava nem um perigo a meta de Fernando Henrique, só algumas jogadas individuais de Cleytinho baixinho habilidoso. Mas o lateral Paulo Sérgio que já vinha errando alguns passes no ataque do Ceará, perdeu a bola bobamente e deixou Alex Paraíba bater sozinho e abrir o placar.
O Ceará estava sem meio de campo, já que Paulinho não conseguia acerta um passe certo. Preto atacante que era para estar dentro da área adversaria estava voltando demais para pegar a bola. Apenas Euzébio fazia um esforço tremendo para chegar ao gol adversário e foi ele que de fora da área fez um golaço e empatou o jogo.
Do lado de fora, nas arquibancadas os torcedores revoltados com o time e já criticavam alguns jogadores quando pegavam na bola, como o lateral esquerdo Romano, o lateral direito Paulo Sérgio e o próprio Paulinho das categorias de base.
Tanto torcida quanto imprensa pedia que deveria apostar nos garotos da base, porém mal começa o campeonato e já querem crucificar a moçada. É difícil dessa forma revelar algum jogador no futebol cearense.
O time alvinegro logo virou o jogo, com um gol chorado depois de uma suposta falta do ataque alvinegro na zaga da Lagosta Mecânica e com uma possível saída de bola, na linha de fundo. Motivo para os jogadores do Trairiense correrem para cima da bandeirinha Carolina Romanholi que foi firme e confirmou o gol apontando a bandeira para o meio de campo.
No segundo tempo houve um anti jogo do Ceará que jogou recuado depois da expulsão do volante Juca. O Trairiense pressionou e por pouco não marcou.
O time do Ceará veio de uma pré-temporada curta e com vários jogadores fora de forma e o Trairiense, vinha de muito tempo de treinamento e jogos amistosos num ritmo bem maior, porém sem tanta alternativas de jogo.
Cleber
A torcida do Ceará já estava com raiva do Dimas e pressionava ele para mudar o time coisa que só fez nos últimos 10 minutos. Colocou Macksuel no lugar de Felipe Azevedo que havia feito o segundo gol do Ceará e tirou Paulinho e colocou Geovane, antes tinha tirado Preto e colocado o Zagueiro trator Cléber que por duas vezes quase faz penalte com sua brutalidade. 
A torcida começou a gritar :Clebão, Clebão. No fim a vitória soada mereceu aplausos dos presentes. Mas ainda tinha um grupo pequeno que estava revoltado com o time.
Eu estava satisfeito, pois sabia que era só estreia . Fui saindo e quando vi um moto táxi perguntei o preço para ele me deixar em casa, 6 reais do PV até o Montese. Ufa em casa depois disso tudo.

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