sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Experiências transfomando o ser

Tive uma infância rígida e violenta. Uma violência psicológica, pois não me lembro claramente de ter levado surras do meu pai ou minha mãe. Agora constantemente era tratado de forma diminutiva por meu pai.
. A minha mãe era condicionada pelo sofrimento de viver ao lado de um marido agressivo e traidor (tinhas várias amantes). Talvez por isso a raiva reprimida dela recaia sobre nós os seus filhos.
. Anos mais tarde, já na vida de jovem adulto, ao me libertar através do divertimento, consegui me encontrar como alguém inserido no mundo. Muitas vezes em bares com amigos, tinha diversos debates sobre os mais variados assuntos. Outras vezes em bibliotecas publicas conhecia figuras interessantes, de desenhistas a desocupados, que iam somente pra passar o tempo no ar condicionado e para tomar café de graça. Nesses ambientes fervilhavam idéias das mais variadas.
. Em todos os lugares que freqüentava, me sentia apartado dele, estava presente somente fisicamente, o pensamento longe. A conversa que tinha com os meus amigos era diferente daquele local em que estávamos.
. Parecia que éramos imortais, alguém super interessante (e éramos a bebida nos encorajava a paquerar), pois falávamos aquilo que queríamos falar sem ter algum tipo de censura. O tempo era o amigo que tínhamos.
. Uma vez na véspera do meu aniversário, quando morava com minha irmã há uns quatro anos, convidei alguns amigos para comemorar comigo essa data importante para mim. Antes nunca tinha comemorado um aniversário na vida. A única imagem de aniversario que tinha recordação era do meu irmão quando fez cinco anos, foi uma festinha com direito a um belo bolo, lembrancinhas sobre a mesa, amiginhos do meu irmão presentes.
. Quando sai da casa dos meus parentes e fui morar com minha irmã, tinha muitas vontades contidas dentro de mim, uma delas era comemorar sempre o meu aniversário. Na primeira vez reuni um grupo lá em casa de cerca de oito pessoas, alguns levaram presentes, outros bebidas, me senti muito radiante. Nesse aniversário sem parentes, rodeado de “desconhecidos”, até porque amigo é algo que se conquista com anos; conversamos sobre música, política, arte.
. Dois anos mais tarde, resolvi fazer de novo meu aniversário e convidei alguns amigos que disseram que não podiam comparecer. Resolvi então chamar colegas, pessoas que conhecia pouco. Uma festa mais liberal com bastante bebida, músicas agitadas. Dessa festa tinha pouco papo convencional, conversávamos movida a bebida sobre coisas banais.
. Passado alguns anos, casei fiquei distante de meus familiares. Como já tinha matado a vontade de comemorar meu aniversário, resolvi ampliar e reunia sempre com meu irmão e meu pai, para comemorar o aniversário da minha irmã.
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