quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Espaço do povo

Quando estudava para o vestibular em 2004, onde na época estava me preparando para tentar uma vaga no curso de Turismo, e encontrei uma frase de um pensador iluminista. “Posso não concordar com nada do que dizes, mas defenderei até a morte se preciso for o seu direito de falar” Voltaire.
. Quis tentar entender o que significavam essas palavras, mas apenas conseguia sentir que deveria incentivar as pessoas a se pronunciarem. Tive diversos debates com gente de variados ramos: grupos de pessoas religiosas, socialistas radicais, anarquistas, etc. Conseguia ouvir os pontos de vista de todos e respeitar as posições diferentes.
. Lembro-me de antes de pensar na liberdade de expressão, tinha tido uma experiência em um grupo de oração, onde era bitolado, não aceitava opinião contrária, tudo para mim tinha que ser baseado na bíblia. Se fosse ao banheiro, tomar uma decisão importante, tudo tinha que consultar meu coordenador e ler a bíblia.
. O mundo “lá fora” para mim era visto como o pecado, tudo era errado. Quando consegui enxergar, foi que voltei a buscar estudar e crescer profissionalmente.
. Passei anos buscando viver experiências libertadoras e fui me envolvendo com política. Primeiro no movimento estudantil, depois em um partido de esquerda. Comecei a ler Marx, manifesto comunista e mergulhei em outra ideologia. Queria o mundo igual para todos. O estado controlando tudo. Só não me entrava à idéia de a imprensa ser objeto de controle.
. Sempre fui um defensor do direito de expressão livre. E os meus amigos me criticavam, dizendo que o comunismo controlava os meios de comunicação. Na verdade ficava confuso, pois via no Brasil, país democrático, com liberdade imprensa, a mídia ser controlada; não pelo Estado, mas pelas grandes empresas.
. Um grande exemplo disso foi o caso da TV Globo, que vendo o crescimento da TV Diário (pertencente ao grupo de comunicação Edson Queiroz, sua afiliada) em todo o Brasil, impôs ao grupo que se não tirasse o sinal da TV Diário da Parabólica encerrava o contrato com ela.
. Percebi nesse caso da TV Globo com TV Diário, o absurdo de uma emissora que criticava o governo federal por tentar controlar a imprensa e eles interviram indiretamente em outro meio de comunicação; Horrível isso.
. Um dos exemplos mais democráticos que participei na minha vida foi o Orçamento Participativo de Fortaleza. O O.P é um órgão deliberativo em que qualquer cidadão comum pode ir lá levar uma proposta, colocar para ser votada e também pode colocar seu próprio nome para ser delegado (representante com direito a voto) de um bairro, ou segmento.
. Fui eleito para ser delegado de juventude e fiquei dois anos participando, dando opinião, ouvindo, construindo com os demais as alternativas para a cidade de Fortaleza. Esse exemplo foi o mais próximo que pude ver de democracia participativa. Gente de bairros periféricos, pobres sendo ouvidas, suas opiniões tendo importância.
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