quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Estrada para perfeição


Estava eu, sentado na cadeira que ficava a esquerda do ônibus, atrás três cadeiras do motorista e três a frente do trocador, em um horário de muito movimento, por volta das 18h,onde a maioria dos trabalhadores estão voltando pra casa, depois de um dia puxado. Também nesse mesmo horário os estudantes vão ou vem da escola, faculdade, cursinho.
            Na maioria das vezes, não consigo sentar; tenho que aguentar a maioria do trajeto, sendo amassado literalmente, pelas outras pessoas que dividem o espaço comigo. Porém como vou para o trabalho a pé, raramente passo por isso, somente nas terças e quintas, quando acaba minha aula de natação por volta de 18h.


Voltando ao assunto inicial do texto, onde estou sentado e ao meu lado, ainda ninguém. Fiquei pensando em muitas coisas da vida, principalmente quem seria a pessoa que sentaria ao meu lado. Geralmente, senta homens gordinhos, ou senhoras de idade. Pouco converso durante o percurso, fico mais divagando em meus devaneios.
            Dessa vez, sentou a meu lado alguém, que quando olhei, só consegui vê nariz e uma boca grande; tentei observar mais atentamente, para vê como era seu rosto, mas eu estava sério e ranziza, um pouco preocupado também, porque tinha uma reunião e já estava atrasado para ela, porém me confortava saber que a culpa jamais podia ser minha, pois o ônibus estava cumprindo seu trajeto perfeitamente.
            Estava tentando entender, porque não conseguia mais ser como aquele que eu era antes de casar, um rapaz, que gostava de puxar assunto, com qualquer um que estava perto de mim. Tinha sido assim, que tinha feito meus melhores amigos; conversando em biblioteca, cinemas, teatros, conhecendo um a um.
            Mas logo percebi que era o momento de olhar e conhecer apenas pelos gestos. Pude vê-la completa quando ela se levantou e descobri que aquele nariz e aquela boca, faziam parte de uma estrutura bem formada de beleza; uma linda mulher de cabelos longos, silhueta bem formada, estatura surpreendente ao se levantar. Como as aparências enganam, ao vê uma mulher pela metade e vê-la por completo.

            Muitas vezes para mim me satisfaço em contemplar o belo nas pessoas, sem precisar tocá-las, há não ser com os olhos da admiração. Dessa forma, tiramos todo mal dos nossos sentimentos e vemos as pessoas como elas são realmente, perfeitas obras da natureza e do cosmo.
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